Algumas coisas de percurso
No início das sessões, eu fui construindo o projeto enquanto ia gravando.
Primeiro, a questão do instrumento. me vali inicialmente do que possuía. Não era uma questão. Tornou-se uma questão durante a escuta. Ao me despir da parafernalia que usava no trio, e gravando direto, sem interferência (pedais, efeitos na mesa, etc.), o que eu tocava e ouvindo depois o resultado sonoro sem alteração, passei a ver a questão do instrumento mais necessária que a questão técnica do performer, de seus limites e possibilidades. Nesse percurso do instrumento, fui levado por tentativas a diversas ações: 1- troca de instrumentos; 2- uso de técnicas expandidas (objetos inseridos, palheta, etc.); 3- outras afinações (especialmente a 6ª corda abaixada para D). Uma coisa, creio, logo ficou decidida: não ter mais de um violão para cada sessão. Isso tem suas implicações. Eu poderia usar outros instrumentos. Mas o fato de usar um de qualidade profissional me fez extrair mais possibilidades dele, conhecer mais sua materialidade e seus recursos.
Segundo, avanço na aleatoridade das sessões. Nas primeiras sessões, eu trouxe material que eu tinha, temas, ideias, e outras que ia desenvolvendo preparando durante a ida para o ensaio. É claro que essas provocações não cobriam tudo o que iria ser feito. Eram pontos de partida. Creio que há algumas orientações gerais, especialmente quanto à metodologia das sessões, que foram se estabilizando. Mas, ao mesmo tempo, cada vez ficaram mais imprevisíveis os pontos de partida. Tanto que os álbuns, títulos das músicas e título do álbum, passaram a ser definidos depois: eram selecionadas as sessões que iriam fazer parte do álbum; cada faixa era escutada novamente junto com o vídeo da sessão; eram transcritas algumas informações sobre a faixa, a partir dos comentários no vídeo; a partir daí, os títulos das faixas eram nomeados.
Terceiro
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